O Estado de S. Paulo

Faesp quer frear projeto que corta incentivos fiscais do agro

Para federação da agricultura do Estado, fim de isenções deve descapitalizar produtores e provocar inflação de alimentos

IGOR SAVENHAGO

A Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) vai recorrer a deputados estaduais para tentar frear o projeto do governo paulista que prevê a retirada de incentivos fiscais para o agro após o dia 31 de dezembro.

A declaração foi dada pelo presidente da federação, Tirso Meirelles, durante evento na sexta-feira, em Jaguariúna (SP), que reuniu representantes do setor para um balanço de 2024 e para traçar perspectivas.

A proposta que elimina benefícios foi apresentada pelo secretário estadual da Fazenda e

Planejamento, Samuel Kinoshita, à Assembleia Legislativa. De acordo com o texto, insumos como frutas, hortaliças, flores, ovos e outros itens da cesta básica, como lácteos, carnes e produtos alimentícios que possuem restrições importantes de cargas tributárias, poderão ser taxados em até 18% a partir de janeiro de 2025, se as isenções e demais incentivos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deixarem de existir.

No início de novembro, a Faesp havia enviado ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) um documento assinado por mais de 40 entidades pedindo que a medida seja reconsiderada. Segundo Meirelles, os produtores estão preocupados.

“Além de um ano com quebra de safra, geada e incêndios, o setor produtivo está apreensivo com o aumento de custos que virá se essa medida não for

Presidente da Faesp

revista. Num ano em que o agro paulista assumiu a liderança das exportações nacionais, eles temem a perda de competitividade e o desestímulo à produção”, diz.

Outro argumento da entidade é que o fim das isenções leve à inflação dos alimentos e à descapitalização dos agricultores, num momento em que mais de 60 milhões de famílias estão endividadas no País.

Para o presidente da Faesp, aumentar tributos sobre alimentação é colocar em risco a segurança alimentar de toda a população. Diante disso, Meirelles afirmou que há um grupo de trabalho analisando a reforma tributária, a fim de evitar que o setor agropecuário seja penalizado. “O agro representa cerca de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, mais de 50% da balança comercial e cerca de 27% da força de trabalho nacional. O agro é o Brasil que deu certo”, afirma.

TURISMO RURAL. O incentivo ao turismo rural foi outro tema em pauta na reunião. O secretário estadual de Turismo e Viagens, Roberto de Lucena, que representou o governador, e o diretor técnico do Sebrae Marco Vignoli destacaram a importância de discutir o assunto.

Vignoli declarou que o ano foi histórico, com parcerias com a Faesp em várias áreas, como as Semeadoras do Agro, que trabalham o empreendedorismo feminino, a saúde do homem e da mulher no campo. Já Lucena lembrou que o Guia de Turismo Rural, publicado em j unho, cadastrou 1.200 propriedades e mapeou dez rotas gastronômicas.

“O turismo rural é um elemento importante para diversificar as oportunidades na área rural, gerar renda para os produtores e oferecer à população as tradições, história, cultura e gastronomia caipira. Isso ajuda a reforçar a identidade cultural paulista e permite que a população urbana tenha experiências únicas”, disse o secretário.

BALANÇO. A reunião serviu, ainda, para a apresentação de um balanço do que a Faesp considera como conquistas em 2024. O Projeto Integrar, que propõe um mapeamento do agro paulista, foi celebrado como um grande ativo para o conhecimento das atividades, das vocações regionais e da força de trabalho do campo.

Parceria do Sistema Faesp/Senar-SP com os sindicatos rurais, o Integrar está servindo para reforçar a necessidade de validação dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) pelos produtores. E também irá embasar a construção de uma planilha de cursos que busquem atender às necessidades do campo, tanto na área de manejo quanto na gestão e na assistência gerencial.

“Esse foi um ano em que reforçamos o compromisso com os sindicatos rurais e com os homens do campo, implementando projetos e realizando cursos que vão ajudar a elevar a qualidade do setor agropecuário paulista”, concluiu Tirso Meirelles. •

“Além de um ano com quebra de safra, geada e incêndios, o setor está apreensivo com a alta de custos que virá se a medida não for revista”

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2024-12-10T08:00:00.0000000Z

2024-12-10T08:00:00.0000000Z

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