O Estado de S. Paulo

Com violência, cresce procura por película antivandalismo

PIETRA ALCÂNTARA

Após sofrer alguns assaltos ao longo dos anos como taxista, o mais recente em maio, Marcio de Carvalho decidiu que o próximo carro teria uma proteção adicional. Ao trocar de veículo no início do ano, além do seguro, investiu na instalação de películas escuras nos vidros. “Prefiro que não vejam se tem ou não gente dentro do carro, assim fico menos visado.”

A decisão reflete uma preocupação cada vez mais comum entre motoristas. Em meio à repercussão de roubos rápidos em congestionamentos e aos ataques da chamada “gangue do quebra-vidro”, cresce a procura por equipamentos que prometem aumentar a segurança dos veículos, como películas antivandalismo, rastreadores, bloqueadores e câmeras veiculares.

Na capital paulista, mais de 161 mil ocorrências de roubos e furtos de celulares foram registradas em 2025, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), número que, segundo a própria secretaria, representa aumento em relação ao ano anterior. Grande parte desses crimes ocorre em vias urbanas movimentadas, aproveitando momentos em que os veículos permanecem parados em congestionamentos ou semáforos.

Entre os equipamentos que vêm despertando maior interesse está a película antivandalismo, aplicada nos vidros para dificultar a quebra.

“A preocupação com segurança aumentou, principalmente entre clientes que circulam diariamente em regiões de grande fluxo urbano”, diz Denis Slwczuk, gerente-geral de pós-vendas do Grupo T-Line.

O grupo, que reúne concessionárias de marcas como Toyota, Jeep, Ram e BYD, registrou crescimento de aproximadamente 50% na aplicação desse tipo de película no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Embora não impeça totalmente a quebra dos vidros, a película aumenta o tempo necessário para a invasão do veículo, o que pode desestimular a ação criminosa. Além disso, o produto ajuda a reter estilhaços em caso de quebra e pode oferecer proteção térmica e contra raios ultravioleta.

A busca por proteção, entretanto, esbarra nas regras de trânsito. Muitos motoristas associam segurança a películas cada vez mais escuras, mas a legislação brasileira estabelece limites mínimos de transparência para garantir a visibilidade do condutor.

O para-brisa e os vidros laterais dianteiros devem manter ao menos 70% de transmissão luminosa. Já os vidros traseiros podem receber películas mais escuras.

Legislação Para-brisa e vidros laterais dianteiros devem manter ao menos 70% de transmissão luminosa

RASTREADOR. Outra tecnologia que vem ganhando espaço são os sistemas de rastreamento veicular. Embora não haja ainda um estudo definitivo, estima-se que cerca de 1,5 milhão de veículos no Brasil utilizem algum tipo de rastreamento, número que, diante de uma frota nacional de aproximadamente 124 milhões de veículos, evidencia um mercado ainda em franca expansão, com amplo espaço para crescimento. •*

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2026-07-15T07:00:00.0000000Z

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