O Estado de S. Paulo

Criação de agenda climática é urgente para o agronegócio

Eventos adversos e extremos causaram prejuízos de R$ 287 bilhões em 10 anos à agropecuária brasileira

Por Igor Savenhago

OBrasil precisa criar uma agenda de ações para mitigar os impactos das mudanças climáticas no agronegócio, afirmaram especialistas no painel Mudanças Climáticas e o Agronegócio no Estadão Summit Agro. Paulo Hora, superintendente de Negócios e Soluções Rurais da Brasilseg, destacou que, entre 2013 e 2022, perdas climáticas somaram R$ 287 bilhões no setor agrícola, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Em 2022, ano de seca intensa, os prejuízos chegaram a R$ 70 bilhões, com indenizações de R$ 8,8 bilhões pelas seguradoras, conforme a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Nesse mesmo período de 10 anos, as ferramentas de transferência de risco que temos no Brasil (Seguro Rural e Proagro) indenizaram mais de R$ 50 bilhões: aproximadamente R$ 26 bilhões gastos com seguro e R$ 29 bilhões com o Proagro.

O relatório mencionado não abrange os prejuízos das secas severas dos últimos dois anos, pontua André Lima, secretário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o que mostra que a situação é ainda mais grave. Em 2024, as queimadas afetaram 25 milhões de hectares, incluindo 4 milhões na Amazônia, comprometendo 20% do Pantanal.

Lima enfatizou que o setor agropecuário é determinante para combater o desmatamento ilegal no País desde que haja o apoio do governo federal, já que a maior parte desse desmatamento não é proveniente do agronegócio.

O secretário lembrou, ainda, que as pressões sobre o Brasil aumentam com a proximidade da COP-30, em 2025, em Belém (PA), e que o País deve estar preparado. “Temos um contexto climático desafiador para o poder público e o setor privado. É inevitável que a conservação dos biomas esteja associada ao agro”, afirmou.

Risco hídrico

Giampaolo Queiroz Pellegrino, pesquisador em Mudanças Climáticas na Embrapa, alertou que as mudanças climáticas aumentam os riscos para a agricultura, especialmente a falta de água. “As perdas estão ligadas ao déficit hídrico, e é fundamental entender onde ocorrem e mitigá-las. Com o aumento das temperaturas, a disponibilidade de água pode diminuir ainda mais, tornando essenciais as práticas de agricultura regenerativa.”

A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) também expressa preocupação. Eduardo Bastos, presidente do Comitê de Sustentabilidade, destacou que um diferencial do Brasil no mercado mundial é a capacidade de múltiplas safras em uma mesma área, algo ameaçado pelas condições climáticas extremas. “Por isso, é vital que o País tenha uma agenda de adaptação e mitigação.”

25 milhões de hectares foram afetados por queimadas em 2024 no Brasil

AGRO ESTADÃO

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2024-11-25T08:00:00.0000000Z

2024-11-25T08:00:00.0000000Z

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