O Estado de S. Paulo

Carros eletrificados crescem e já são 16% das vendas no País

No ano passado, a participação de elétricos, híbridos e híbridos plug-in foi de 11%; comercialização de veículos a combustão recua

CLEIDE SILVA

Carros elétricos, híbridos e híbridos plug-in foram a escolha de cerca de 16% dos consumidores brasileiros que compraram carros novos no- Brasil no primeiro trimestre deste ano. Em todo o ano passado, a participação foi de 11%, conforme números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

De janeiro a março, foram vendidos 95.621 modelos eletrificados, mais de 40% fabricados no País, especialmente os híbridos. Em relação ao total comercializado no mesmo período de 2025, o crescimento foi de 88,6%.

O aumento constante da participação de veículos com novas tecnologias está relacionado, em grande parte, à chegada de montadoras chinesas nos últimos três anos. Elas oferecem carros elétricos e híbridos a preços competitivos, alto nível de tecnologia e design diferenciado.

“A imagem das chinesas passou a ser de inovação e, ao anunciarem produção local, ganharam credibilidade”, diz Rogélio Golfarb, que atuou por 45 anos na indústria automotiva brasileira e hoje é CEO da consultoria ZAG Work. Segundo ele, as empresas novatas estão ganhando participação em um mercado estagnado, ou seja, tirando fatias de marcas tradicionais.

NOVAS MARCAS CHINESAS. Esse movimento de alta tem atraído novas marcas da China ao País – há cerca de 30 delas atuando com importação, montagem local ou fazendo testes de avaliação do mercado. Várias das que trazem modelos importados têm planos de produção no País. Golfarb projeta que, até 2035, as chinesas serão responsáveis por 35% das vendas de automóveis e comerciais leves no País.

A soma inclui as montadoras tradicionais, que já têm participação de mais de 40%, especialmente nas vendas de híbridos, muitos deles com tecnologia flex. Os 100% elétricos ainda devem demorar para ter presença mais marcante na produção local, embora já haja exemplos. A General Motors está montando o SUV compacto Spark em uma fábrica terceirizada em Horizonte (CE) e, em breve, entrará na linha o Captiva elétrico.

“O cenário do Brasil ainda é de desenvolvimento no segmento de elétricos, mesmo porque o País tem o etanol”, diz a sócia da PwC Brasil Carolina Godoy.

Um entrave importante é a falta de infraestrutura de carregamento de baterias. A China, diz ela, tem um mercado muito mais avançado e já está em outra fase, como a de desenvolvimento de tecnologias de recarga ultrarrápidas, com tempo similar ao do abastecimento na bomba de combustível.

PARTICIPAÇÃO GLOBAL. Os eletrificados representaram 43,9% das vendas de automóveis e comerciais leves em todo o mundo, segundo relatório global da consultoria PwC. Em 2025, foram vendidos 31 milhões de veículos elétricos, híbridos e plugin, um aumento de 18% em relação ao ano anterior.

As vendas de modelos a combustão caíram 5,19%, para 39,6 milhões de unidades. A China é, de longe, o maior mercado, com 14,7 milhões de eletrificados, ou 54,2% de todas as suas vendas no ano passado. “Os chineses operam em uma velocidade muito superior à das montadoras ocidentais”, justifica Fernando Trujillo, da S&P Global Mobility.

No Brasil, as vendas de carros a combustão (flex, gasolina e diesel) caíram 1,9% no ano passado, para 2,26 milhões de unidades, de acordo com a Anfavea.

Carolina tem dúvidas se o mercado de eletrificados seguirá crescendo nesse mesmo ritmo. “Os carros em geral estão com preços altos, inclusive os das chinesas, que trazem ao País principalmente modelos premium”, diz. “Para conquistar o mercado de baixo e maior volume, elas terão de trazer também modelos mais baratos.” •

Participação relevante

Eletrificados representaram 43,9% das vendas de carros de passeio e comerciais leves no mundo em 2025

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2026-04-23T07:00:00.0000000Z

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