O ‘avião silencioso’ criado no interior de SP
USP e Embraer desenvolvem nova geração de jatos menos barulhentos
GONÇALO JUNIOR
Como o Estadão mostrou na segunda-feira passada, o barulho dos aviões em aeroportos se mantém como o centro de queixas nos principais terminais em área urbana. Entre as tecnologias que ajudam a reduzir o barulho dos aviões, um dos projetos bemsucedidos foi desenvolvido em São Carlos, no interior de São Paulo. O Embraer E2, nova geração do jato comercial, é uma aeronave concebida em torno da redução de ruídos. “O projeto tem de nascer com baixo ruído externo”, diz o professor Fernando Catalano, diretor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP).
Catalano coordenou projetos de pesquisa em aeroacústica financiados pela Fapesp e pela Finep, com a participação de universidades brasileiras, que resultaram em componentes e produtos utilizados pela fabricante brasileira. Os resultados aparecem na comparação entre o E2 e o antecessor, o E1. Segundo ele, o novo modelo é cerca de 6 a 7 decibéis mais silencioso, diferença que considera grande. Atualmente, o modelo aparece na lista dos mais silenciosos do mundo ao lado do Airbus A320neo e do Boeing 737 Max.
Para medir os níveis de ruído das aeronaves, a Organização da Aviação Civil Internacional (Icao, em inglês) estabeleceu uma métrica chamada EPNdB, sigla em inglês para “ruído efetivamente percebido em decibéis”. Esse índice considera o barulho produzido pela aeronave em decolagem, voo em cruzeiro e aproximação para pouso. O jato da Embraer atingiu 20 EPNdB de margem acumulada nos testes. Quanto maior a margem (diferença entre o índice do avião e o estabelecido pela norma), mais silencioso é o jato. O Airbus A220, também considerado silencioso, apresentou desempenho semelhante.
As mudanças do E2 são alguns dos resultados do programa Aeronave Silenciosa, criado para estudar a propagação de ruído. A ênfase está no ruído aerodinâmico gerado pelo fluxo de ar sobre e sob as asas, no trem de pouso e na fuselagem da aeronave, bem como nas fontes de ruído do motor e suas partes móveis. A lógica é particularmente importante durante o pouso, quando o motor está em
Ênfase de estudos Está no ruído gerado pelo fluxo de ar sobre e sob as asas, no trem de pouso e na fuselagem
baixa rotação e o ruído produzido pela aeronave ganha relevância. “Essas fontes de ruído se acumulam e formam o ruído total da aeronave”, explica Catalano.
CUSTO. Catalano afirma que a USP e a Embraer estão concluindo em São Carlos um novo túnel de vento para ensaios aeroacústicos, com investimento da ordem de R$ 10 milhões. A estrutura permitirá testar componentes maiores de aeronaves no Brasil antes de enviá-los para o exterior. •
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2026-08-28T07:00:00.0000000Z
2026-08-28T07:00:00.0000000Z
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