Virou referência
Melhor do mundo, Bruno Nobru tem milhões de fãs e seguidores
RICARDO MAGATTI
Como a maioria das crianças brasileiras, Bruno “Nobru” Goes não largava a bola e sonhava em ser jogador de futebol. Jogou na base de alguns clubes paulistas, fez testes, mas desistiu. Optou por entrar em outro universo, o dos esportes eletrônicos. Anos depois, o jovem nascido e criado no Jardim Novo Oriente, na região do Campo Limpo, periferia de São Paulo, só tem motivos para comemorar. Passou a ser conhecido como o “Neymar dos Games”, tamanho o sucesso e fama que alcançou.
Filho de pais separados e com três irmãos, Nobru jogava Free Fire no celular do pai, Jeferson, sem imaginar que se tornaria referência. Passou a levar o jogo a sério aos 18 anos, quando viu que se destacava. Então, convenceu o pai, que estava desempregado, que o futebol não era pra ele. “Quando virei para o meu pai e falei que não queria mais jogar bola, ele brigou comigo e ficamos sem nos falar”, conta.
O menino acabou fazendo sucesso nos esports. Foi pioneiro ao participar da primeira equipe de Free Fire pertencente a um clube de futebol, o Corinthians, o seu time de coração. Virou um dos maiores streamers da modalidade no Brasil, tem três mansões, mais de 30 milhões de seguidores em suas redes sociais e fundou ao lado do amigo Lúcio “Cerol” dos Santos o Fluxo, organização de esports que visa dar oportunidades para outros “pro players”, como são chamados os atletas de esportes eletrônicos.
“Sou bem maior do que imaginei. Não imaginava esse sucesso, mas estava preparado pra isso. Se eu tivesse sido jogador de futebol, poderia ter sido bom, mas não o quanto sou hoje”,
Corinthians no coração Bruno Nobru foi campeão mundial de Free Fire em 2019, quando defendia as cores do Corinthians
reconhece Nobru. O Fluxo nasceu da necessidade de haver um time de esports que representasse a comunidade, ou a “quebrada”, como define. “O Free Fire é para todas as classes porque não requer um computador. Uniu todas as classes sociais possíveis. Eu era um moleque de quebrada, jogava com um moleque rico do Morumbi e a gente se divertia da mesma forma”, observa.
O Estadão conversou com o jovem de 20 anos em sua mansão localizada em um condomínio de luxo em Arujá, na Grande São Paulo, e conheceu parte da rotina do gamer, eleito o melhor jogador do mundo de Free Fire em 2019, ano em que foi campeão da Free Fire Pro League e do Mundial da modalidade pelo Corinthians – não defende mais o clube.
Como faz lives até tarde, Nobru não costuma acordar cedo. Ele treina todos os dias, diz ter uma alimentação equilibrada, não bebe, não fuma, pratica exercícios físicos e conta com estrutura semelhante à de um atleta de futebol famoso. Tem técnico, assessor pessoal, chef de cozinha, cabeleireiro, entre outros 60 funcionários que trabalham para ele e o Fluxo.
A organização possui três casas no condomínio em Arujá. Numa ficam os atletas de Free Fire mobile, em outra os jogadores emuladores e na terceira os influenciadores digitais. O imóvel onde Nobru mora dispõe de academia, campo de futebol society, piscina, churrasqueira e até uma barbearia. Tudo para o jogador se concentrar somente em seu trabalho.
“Ele tem a cabeça de gente mais velha e alma empreendedora. Parece que nasceu pra isso”, diz Mariana Sales, gerente de projetos do Fluxo.
POPULARIDADE. Nobru também produz conteúdo. Faz lives na Twitch, plataforma em que soma quase 3 milhões de seguidores, e no Youtube (tem 12 milhões de inscritos e mais de 736 milhões de visualizações em seus vídeos). “O pessoal se identificou com o meu jeito, meu carisma, mesmo que não acompanhasse e jogasse Free Fire. Veem um moleque humilde, engraçado.”
Ele não revela quanto fatura mensalmente com empresa, suas lives, prêmios e contratos de publicidade. Mas o valor é muito alto. “É uma coisa comparada a jogador de futebol no auge”, compara.
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2021-10-23T07:00:00.0000000Z
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