O Estado de S. Paulo

Escolas preveem reajuste entre 7% e 11% para 2027, acima da inflação

Mais de 80% das instituições pretendem adotar essa variação, enquanto a inflação deste ano deve ficar em torno de 5%

MÁRCIA DE CHIARA

Colégios apontam inadimplência e gastos extras como motivos. Inflação deste ano deve ficar em torno de 5%.

Pressionados pela elevada inadimplência das famílias e gastos extras com a alta rotatividade dos funcionários, colégios particulares de ensino básico planejam grandes reajustes de matrículas e mensalidades escolares para o ano que vem. Mais de 80% das escolas pretendem aumentar entre 7% e 11% as mensalidades em 2027, segundo a pesquisa da consultoria Meira Fernandes, especializada em gestão e soluções para instituições de ensino.

O reajuste pretendido está muito acima da inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,03% projetada pelo mercado para este ano, de acordo com o último Boletim Focus do Banco Central (BC). Vale considerar que, normalmente para contratos de prestação de serviço, a inflação do ano anterior é um parâmetro.

Também o reajuste pretendido pelas escolas é o maior dos últimos anos, segundo a pesquisa. Para as rematrículas de 2026, por exemplo, a maior concentração de reajustes variou entre 9% e 10%, porcentuais pleiteados por 40% das instituições de ensino. A pesquisa deste ano com foco na rematrícula de 2027 ouviu 1,5 mil escolas em oito Estados (São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas, Mato Grosso, Maranhão, Ceará e Roraima) entre os dias 11 de junho e 3 de agosto. Juntas, essas escolas têm quase 120 mil alunos.

PRESSÕES. “O índice de reajuste é o resultado de vários fatores, como folha salarial com aumento médio de 6,95% em junho, obrigações legais, educação especial, tecnologia, segurança com o ECA Digital e receitas que não entram no prazo esperado”, avalia Mabely Meira Fernandes, diretora jurídica

Segundo a pesquisa, 21,67% projetam calote acima de 6% nos próximos dois anos

da consultoria.

Entre os destaques de pressão de custos deste ano, a executiva aponta a inadimplência mais elevada. No primeiro semestre, 51,93% das escolas enfrentavam atrasos entre 2% e 5% da carteira de mensalidades. Já no mesmo período de 2025, a fatia de escolas com esse nível de calote estava em 46,59%.

Ao mesmo tempo, a situação do calote pode piorar na virada do ano. Segundo a pesquisa, 21,67% das instituições de ensino projetam inadimplência acima de 6% entre 2026 e 2027. Dessas, 16,67% estimam um calote entre 5% e 9% e 5% acreditam que o porcentual poderá superar 9%, 10% ou até mais.

Um ponto que chama atenção na enquete deste ano são os gastos adicionais que as escolas estão tendo em razão da alta rotatividade dos funcionários em meio à escassez de trabalhadores especializados. Quase 30% das escolas apontam gastos com turnover da mão de obra como um fator que passou a consumir recursos financeiros e teve impacto negativo no caixa das escolas.

A inadimplência foi apontada por 11,6% dos colégios para emagrecer o caixa. Quem liderou o ranking das despesas foram gastos com inclusão escolar, apontados por 35,9% das escolas, seguidos por contratação de profissionais especializados, apontado por 16,6% dos colégios. “Isso não significa que todas as escolas aplicarão o maior reajuste”, destaca Mabely. •

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2026-08-10T07:00:00.0000000Z

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