‘Cometeu vários erros’, diz Putin sobre líder mercenário
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez ontem seus primeiros comentários sobre o misterioso acidente de avião na região de Tver, na Rússia, que se acredita ter matado o líder do grupo Wagner, Yevgeni Prigozhin, seu inimigo declarado, na quarta-feira.
“Ele foi um empresário talentoso. Um homem com um destino difícil. Cometeu vários erros na vida”, disse o presidente russo, se referindo ao ex-aliado com verbos no passado, mas sem confirmar explicitamente sua morte. “Ele cometeu erros graves na vida”, continuou o presidente russo, prometendo uma investigação completa, mas dizendo que isso levaria “algum tempo”.
As declarações dadas durante uma reunião no Kremlin foram as primeiras do presidente russo sobre a explosão que matou dez pessoas. Na aeronave também estavam o comandante de operações do Grupo Wagner, Dmitri Utkin, e outros veteranos da milícia armada – liquidando efetivamente uma força que já foi central para a guerra da Rússia na Ucrânia e ainda tem combatentes destacados na África e no Oriente Médio.
“Todos deram uma contribuição para nossos esforços contra o regime neonazista na Ucrânia. Nós nos lembramos disso e não esqueceremos.”
BOMBA. Prigozhin foi dado como morto após a queda de um Legacy 600 da Embraer na região de Tver, norte de Moscou. De acordo com autoridades aéreas da Rússia, seu nome está na lista de passageiros. A estranha explosão de um jato particular em pleno voo alimentou suspeitas de que o líder do motim contra o governo russo, em junho, tenha sido assassinado. Na época, Putin chamou o mercenário de “traidor”.
Ontem, o New York Times, citando informações de inteligência dos EUA e autoridades ocidentais, disse que a explosão que derrubou o Legacy, provavelmente, foi causada por uma bomba ou outro dispositivo colocado no jato.
As agências de inteligência dos EUA ainda não confirmaram a morte de Prigozhin, embora várias autoridades ocidentais tenham dito que é muito provável que ele tenha realmente morrido na explosão do avião. Os EUA também não detectaram via satélite o lançamento de nenhum míssil ou armamento que possa ter derrubado o Legacy 600.
PENTÁGONO. O general Patrick Ryder, porta-voz do Pentágono, afirmou ontem que não existe evidência de que o avião de Prigozhin tenha sido derrubado por um míssil terra-ar. “Essas informações são incorretas”, disse o general.
Autoridades americanas e europeias, que falaram ao New York Times sob condição de anonimato, disseram que o mais provável é que Putin tenha ordenado a explosão do avião da Embraer para matar Prigozhin.
Acidente misterioso Presidente se refere a Prigozhin no passado, mas não confirma morte em explosão de avião
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2023-08-25T07:00:00.0000000Z
2023-08-25T07:00:00.0000000Z
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