Hamas oferece passar poder em Gaza a comitê ligado aos EUA
Iniciativa representa uma mudança do grupo palestino para destravar o envio de ajuda e a reconstrução do território
O Hamas anunciou ontem sua intenção de transferir a autoridade administrativa de Gaza para um comitê de tecnocratas apoiado pelos EUA. Após duas décadas no poder, o grupo dissolveu o órgão que governou o território palestino, dando um passo importante para a próxima fase do acordo de paz.
Não ficou claro em que medida o anúncio contribuiria para fortalecer o cessar-fogo em Gaza ou para melhorar as condições no território, que enfrenta uma crise humanitária. Ao anunciar que estava pronto para a transição, o Hamas não fez nenhuma promessa de desarmamento unilateral, conforme exigido por Israel e EUA.
O grupo para o qual o Hamas ofereceu transferir o poder – o Comitê Nacional para a Administração
de Gaza (NCAG, na sigla em inglês) – tem tido o funcionamento atrapalhado por Israel, desde a sua criação, em janeiro, o que levanta dúvidas sobre o cronograma de qualquer futura transferência de poder.
O NCAG é supervisionado pelo Conselho de Paz, criado por Trump como parte do cessar-fogo. Desde que começou a se reunir, em janeiro, seus 13 membros – a maioria tecnocratas palestinos – foram impedidos de entrar em Gaza pelo premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e permanecem retidos no Cairo.
O presidente do NCAG, Ali Shaath, escreveu ontem nas redes sociais que o comitê estava “totalmente preparado para assumir suas responsabilidades assim que os recursos e as capacidades necessários estiverem disponíveis”.
PLANO.
Analistas afirmaram que o anúncio do Hamas foi uma manobra simbólica para reativar o processo de paz estagnado, que vem impedindo a reconstrução e a assistência humanitária para os 2,1 milhões
“Eliminamos assim qualquer pretexto para a ocupação, que continua sua agressão e sua guerra de extermínio”
Hazem Qassem
Porta-voz do Hamas, sobre a decisão de transferir o poder
de habitantes do território palestino.
A medida tenta contrapor as propostas de Israel para restringir a ajuda, a reconstrução e a governança a uma pequena parcela da população de Gaza que vive em vilarejos construídos em 60% do território palestino sob controle direto do exército israelense.
Donald Trump apoiou o plano de Israel, criticado por muitos ativistas, líderes regionais, incluindo o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, que classificou os locais onde os palestinos ficariam confinados em Gaza como “campo de concentração”.
Mohamed al-Farra, chefe da administração do Hamas, renunciou ontem, transferindo o poder para o NCAG. Ele afirmou que os funcionários públicos permaneceriam em seus cargos até o comitê assumir suas funções.
Hazem Qassem, porta-voz do Hamas, disse que o grupo deu um novo passo ao deixar o comando da Faixa de Gaza. “Eliminamos assim qualquer pretexto para a ocupação, que continua sua agressão e sua guerra de extermínio”, afirmou Qassem.
DISPUTA.
A perspectiva de uma transição, no entanto, continua remota. Em relatório ao Conselho de Segurança da ONU, em maio, o alto representante para Gaza nomeado por Trump, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, atribuiu ao Hamas a culpa pelo impasse no processo de paz. Mladenov foi criticado pela parcialidade ao não responsabilizar Israel por violações do acordo. O grupo palestino rejeita abrir mão de suas armas enquanto Israel controlar 60% de Gaza, violar o cessar-fogo e apoiar grupos paramilitares dentro do território.
A reação do Conselho da Paz à declaração de ontem do Hamas foi cautelosa e não assumiu compromissos, limitandose a dizer que havia “tomado nota” do anúncio. “Em última análise, nossa avaliação será guiada por ações, e não por promessas, para atender às necessidades críticas da população de Gaza”, afirmou o conselho em suas redes sociais.
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2026-07-07T07:00:00.0000000Z
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