Gases estufa têm alta recorde; metas não evitam colapso climático
Emissões cresceram 2,3% em 2024, impulsionadas pela poluição de China, Índia, Rússia e Indonésia.
AQUECIMENTO GLOBAL AMEAÇA PRAIAS DE COPACABANA E LEBLON, PÁGS. C6 E C7
As emissões de gases de efeito estufa bateram novo recorde em 2024, com aumento de 2,3% em relação ao ano anterior, impulsionadas pela poluição atmosférica de China, Índia, Rússia e Indonésia. A análise é do novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado ontem, às vésperas da COP-30. Já o Brasil no último ano teve queda recorde de 11%, puxada pela redução no desmate da Amazônia, como mostrou o Estadão ontem.
Segundo o Pnuma, os novos compromissos climáticos propostos pelos países para diminuir as emissões reduzem a escalada de aumento da temperatura da Terra, mas não em ritmo suficiente para alcançar os objetivos do Acordo de Paris contra o aquecimento global. O acordo estabelece o objetivo de limitar o aquecimento do planeta, até 2100, a bem menos de 2°C acima dos níveis pré-Revolução Industrial (meados do século 19). Conforme o pacto assinado em 2015, o ideal seria ficar abaixo de 1,5°C, mas em outubro o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, admitiu que essa meta não deve ser alcançada.
Uma década após o Acordo de Paris, havia a previsão de que os países atualizassem suas metas de redução de emissões de gases-estufa. Menos de um terço das nações (só 60), porém, apresentou compromissos atualizados. Entre os que ainda não renovaram as metas estão os países da União Europeia. Um dos reveses do último ano é o anúncio da saída dos EUA do Acordo de Paris, com a volta de Donald Trump, um negacionista climático, à Casa Branca. Pelas contas da ONU, o impacto só deste caso é de 0,1°C na conta. •
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2025-11-05T08:00:00.0000000Z
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