Vendas de Defesa crescem e lucro no trimestre sobe 25%
Vendas do avião de transporte militar KC-390 impulsionam negócios da companhia, que também mantém aviação civil no radar
JÚLIA PESTANA BETH MOREIRA LUÍSA LAVAL
A Embraer divulgou resultados acima do esperado pelo mercado ontem, anunciando boas perspectivas de médio e longo prazos, e reviu para cima suas projeções. Com isso, suas ações disparam 9,40% e entraram em leilão – quando há a interrupção automática da compra e venda para evitar volatilidade descontrolada. Ao fim do dia, a alta foi de 2,31%.
Conforme divulgado pela empresa, a Embraer encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,113 bilhão, alta de 25,1% ante o registrado no mesmo período do ano passado. A companhia também revisou sua projeção de margem operacional (Ebit) de 8,7% a 9,3% para 10% a 10,6%. Para o fluxo de caixa livre, a expectativa passou de US$ 200 milhões ou mais para US$ 400 milhões ou mais.
“Estamos num momento muito bom”, disse Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre.
Um dos motivos são as tensões geopolíticas, que têm levado países a acelerar as compras de aviões de Defesa e beneficiado os negócios da Embraer. Esse efeito tem sido observado especialmente nas vendas do avião de transporte militar KC-390.
Como exemplo, Gomes Neto citou as recentes seleções da aeronave pelos Emirados Árabes Unidos e pela Colômbia, além de um potencial acordo com Portugal. A Embraer também trabalha em outra campanha de vendas que, segundo ele, ainda não pode ser divulgada.
“Essa situação geopolítica tem afetado, sim, o negócio de Defesa. Não só para nós, mas para o mercado todo, e tem nos beneficiado”, afirmou Gomes.
A Embraer também vê oportunidade para a venda de 60 a 80 aeronaves KC-390 à Índia, no âmbito do programa de transporte militar médio do país. A companhia já assinou um memorando de entendimento com uma parceira local e aguarda a Força Aérea indiana apresentar o pedido formal de propostas, o RFP, para então definir sua estratégia de localização da produção.
Além da frente de Defesa, o CEO destacou oportunidades na aviação civil. A companhia trabalha para introduzir os jatos E1 e E2 no mercado indiano, com o objetivo de ampliar a conectividade entre cidades menores e aproveitar o programa governamental “Make in India”.
AVIAÇÃO CIVIL. Para isso, a Embraer também mantém conversas com um grupo local após a assinatura de um memorando de entendimento. “Ambas são oportunidades excelentes para a Embraer crescer e expandir sua produção fora do Brasil”, afirmou Gomes. Na área de Defesa, a Embraer estima que o segmento mantenha participação de 12% a 15% da receita da companhia pelo menos até 2030, mas com rentabilidade crescente.
Na aviação comercial, o transporte aéreo tem se mostrado resiliente mesmo diante dos preços mais elevados das passagens, segundo Gomes. A continuidade das viagens tem sustentado a demanda por novas aeronaves, enquanto as extensas carteiras de pedidos de aviões de maior porte fazem com que os clientes enfrentem esperas de anos para receber novas unidades.
Por outro lado, o prazo de produção do jato Praetor caiu de 18 meses, em 2020, para 8,5 meses. Esse foi um dos exemplos citados por Gomes Neto de ganhos de eficiência obtidos pela fabricante nos últimos anos.
Perspectiva Segmento de Defesa deve ter participação de até 15% na receita da empresa até 2030
Segundo ele, a Embraer vem aplicando iniciativas semelhantes aos demais modelos, o que permite elevar a produção sem aumento proporcional da estrutura. “A gente consegue produzir mais aviões com a mesma estrutura”, afirmou.
CAPACIDADE INDUSTRIAL. Em paralelo aos ganhos de produtividade, a companhia também investe na ampliação da capacidade industrial. Para 2030, a expectativa é alcançar capacidade anual de 110 a 120 aviões comerciais, mais de 200 jatos executivos e mais de dez KC-390 no Brasil.
A Embraer também avalia novas linhas de produção. Há possibilidade de expansão da fabricação do KC-390 e, caso o projeto da companhia na Índia avance, poderá ser criada uma segunda linha de produção de aviões comerciais no País. “Não vai ser a capacidade de produção que vai limitar o nosso investimento futuro”, disse. •
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