Empresa dos EUA compra em Goiás mina de terras raras por US$ 2,8 bi
Mina Pela Ema, do grupo Serra Verde, é a única fora da Ásia que produz em escala alguns dos elementos químicos mais disputados hoje por empresas americanas e da China
MATEUS FAGUNDES
Mina Pela Ema, do grupo Serra Verde, é a única fora da Ásia que fornece alguns dos elementos químicos de terras raras em escala.
A americana USA Rare Earth (USAR) anunciou ontem a assinatura de um acordo definitivo para adquirir 100% do grupo Serra Verde, dono da mina e unidade de processamento de terras raras Pela Ema, na cidade de Minaçu, em Goiás. A mineradora brasileira é a única que produz alguns desses elementos químicos em escala industrial fora da Ásia. O valor da transação foi estimado em cerca de US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões), com pagamento de US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações ordinárias da USAR, tomando como referência o valor de fechamento do papel de US$ 19,95 em 17 de abril.
A conclusão da transação é esperada para o terceiro trimestre deste ano, “sujeito a condições usuais e aprovações regulatórias”. Segundo a USAR, a operação assegura um ativo considerado “único” por ser, fora da Ásia, o único produtor em escala comercial de quatro elementos de terras raras (neodímio, praseodímio, disprósio e térbio).
O negócio envolvendo uma empresa dos Estados Unidos e a mineradora brasileira se dá em meio a uma disputa entre americanos e chineses pelo domínio de reservas e produção de terras raras no mundo. Esses elementos químicos são essenciais na fabricação de motores elétricos eficientes, turbinas de geração de energia eólica, telas de TV, imãs de discos rígidos de computadores e de sistemas de áudio e circuitos eletrônicos de celulares, entre outras aplicações. O Brasil tem cerca de um quarto das reservas mundiais de terras raras, ficando atrás apenas da China.
Em viagem a países da Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil está disposto a assinar acordos envolvendo minerais críticos e terras raras “com quem quiser construir, nos ajudar, levar tecnologia e compartilhar conosco”. Mas reforçou querer que a fase de transformação desses minerais em produtos de alto valor agregado seja feita no Brasil. “Não vamos repetir com as terras raras o que aconteceu com o minério de ferro”, disse ele, na Espanha, na sexta-feira passada.
GERAÇÃO DE RECEITA. A combinação entre a Serra Verde e a USAR resultará na criação de uma multinacional com operações no Brasil, nos Estados Unidos, na França e no Reino Unido, com capacidade para atuar na cadeia completa de suprimentos de terras raras leves e pesadas – desde a mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs.
De capital privado, a USA Rare Earth conta com apoio de múltiplas iniciativas federais dos EUA, incluindo um financiamento recente de US$ 1,6 bilhão concedido pelo Departamento de Comércio do país.
“Estamos entusiasmados em unir forças com a USAR”, afirmou Thras Moraitis, CEO do Grupo Serra Verde. Mick Davis, presidente do conselho do Grupo Serra Verde, e Moraitis vão integrar o conselho de administração da empresa combinada. Moraitis também deverá assumir o cargo de presidente da companhia.
No Brasil, a operação será liderada por Ricardo Grossi, atual presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO (Chief Operating Officer) do Grupo Serra Verde.
Segundo o comunicado divulgado pela USAR, a Serra Verde deve apresentar um ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anualizado de US$ 550 milhões a US$ 650 milhões até o fim de 2027. Com o negócio, espera-se que a empresa combinada gere US$ 1,8 bilhão em 2030. A unidade de produção da Serra Verde tem capacidade instalada de 5 mil toneladas equivalentes de óxido de terras raras (OTR) contido em concentrado de carbonato (produto final). •
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O negócio vai criar uma multinacional com operações no Brasil, EUA, França e Reino Unido
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