Democracia deixa sem voz os jovens
Pedro Fernando Nery
Aproibição do voto feminino continua dando o que falar nos jornais e na bolha progressista, que caíram no “bait”. Obviamente, é uma grande bobagem a ideia de que mulheres não deveriam votar; quem não deveria votar são os mais velhos.
Não gosto de explicar ironias, mas, como a última semana de outubro é de ânimos à flor da pele, já esclareço que o argumento aqui é o mesmo que já discutimos em outras colunas. Precisamos pensar em como aumentar a força política das famílias com crianças, não apenas porque é sobre elas que recairão por mais tempo nossas decisões de hoje, mas porque a democracia já privilegia via voto e via acesso as pessoas mais velhas.
Em nosso País, em que a desproporção entre pobreza infantil e pobreza idosa é das mais altas que existem, isso é ainda mais importante. Na teoria, discute-se o voto familiar (pais votam pelos filhos) ou dobrado (pais votam duas vezes), mas parecem ainda ideias ousadas demais para o nosso constitucionalismo.
Não sei se a solução é aumentar o peso do eleitorado jovem (voto facultativo aos 14 e obrigatório aos 16) e reduzir o do idoso (por que o voto é obrigatório até os 70 se a fila preferencial e a vaga de estacionamento são aos 60?).
Em outros países, há preocupação com mudança climática e descontrole da IA, temas em que há conflitos entre ganhos econômicos de curto prazo e perdas de longo prazo. Aqui, eu já ficaria contente se a gente gastasse mais contra a pobreza infantil e controlasse a Previdência, ou se permitíssemos que jovens pobres tivessem acesso favorecido ao emprego formal sem irritar os sindicalistas velhos.
Vejamos: a taxa de pobreza infantil é 7 vezes maior que a dos idosos no Brasil, e isso não é normal. Essa relação é de 3 no México, 2 na Colômbia e 1,5 no Peru ou até na África do Sul, no dado mais recente do Banco Mundial.
Pelo último dado da OCDE, a desproporção é de 12 para um no Brasil, 1,5 na Espanha e até inversa em países mais desenvolvidos: 0,9 na Alemanha e nos EUA, e 0,24 na Coreia do Sul (país que tem o problema oposto: são os idosos os mais pobres da sociedade).
Vi a dancinha de comemoração do Pavanato e da Campopiano, do PL. Eu adorei. Eu adorei ter feito campanha aqui em Brasília para o também eleito Múcio (anote esse nome), do PSB. Adorei ter recebido em casa para discutir ideias o Fabio Felix, campeão de votos para federal, e a Keka, ambos do PSOL. Anote também.
Por mais Nikolas Ferreira, por mais Jones Manoel. Não sei se eles vão resolver a desigualdade geracional, mas, se for proibir alguém de votar, proíbam os velhos. Não confiem em ninguém com mais de 30.
Democracia deixa sem voz os jovens, sobre os quais vão recair as decisões tomadas por outros
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