O Estado de S. Paulo

Governo paulista planeja comprar 5,8 mil imóveis para moradia popular

Foco é na revitalização da região central e do entorno do monotrilho do aeroporto; com financiamento da CDHU, prioridade será para famílias que ganham até 3 salários

GONÇALO JUNIOR A 8 ( D I A M A N T ) LIN H A 7 ( R U B I)

Do total, 2,5 mil imóveis seriam no centro. Uma meta é fazer parque e estação de trem no lugar da Favela do Moinho.

A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) pretende adquirir do setor privado 5,8 mil imóveis prontos, em construção ou com projeto aprovado na cidade de São Paulo para repassá-los às famílias que precisam de moradia. Do total, 2,5 mil seriam no centro, região que vem recebendo iniciativas de revitalização e adensamento. Nos últimos anos, a área sofreu com a recorrência de roubos e furtos, além do espalhamento dos usuários de drogas da Cracolândia.

Na semana passada, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) lançaram um edital de chamamento ao mercado para apresentação de propostas imobiliárias. O período vai até 11 de outubro, mas poderá ser prorrogado. O total de unidades foi dividido em lotes: 2,5 mil nos distritos do centro (Bela Vista, Belém, Bom Retiro, Brás, Cambuci,

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Consolação, Liberdade, Mooca, Pari, República, Santa Cecilia e Sé); 800 no entorno da Avenida Jornalista Roberto

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Marinho, na zona sul (onde há a construção do monotrilho do aeroporto); e 2,5 mil para as demais regiões.

A região central, segundo o IBGE, é a que tem maior número de domicílios particulares sem uso: 58,7 mil. E uma das metas com a proposta é retirar a Favela do Moinho (mais informações nesta página). A estimativa de investimento é da ordem de R$ 600 milhões.

“O chamamento é uma forma de garantir agilidade ao pulverizar a compra entre várias empresas”, diz o secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Marcelo Branco. A medida se soma a outras ações governamentais. O Plano Municipal de Habitação estima déficit de 369 mil domicílios na capital – a Prefeitura já alega ter licenciado 48 mil moradias somente no centro.

FINANCIAMENTO. O financiamento dos imóveis será feito pela CDHU, com valores que variam de R$ 210 mil a R$ 250 mil. As famílias de baixa renda (1 a 2 salários mínimos) devem receber 40% das unidades. Em seguida, serão priorizadas famílias que ganham de 2 a 3 salários, com 25% dos acordos.

A compra de imóveis da iniciativa privada se soma a outras ações do Estado, como a criação do novo centro administrativo, que deve começar a ser construído no ano que vem. O plano é de transferir cerca de 22 mil servidores para os novos prédios. A expectativa é de que, além de trabalhar no centro, grande parte também se mude para a região.

Oportunidade A região central, segundo o IBGE, é a que tem maior quantidade de domicílios sem uso: 58,7 mil

Resolver o vazio ocupacional dos imóveis ajudaria a dinamizar a área. “A partir do momento em que um grupo passa a habitar certo local, para morar ou trabalhar, surge botequim, lanchonete, vendedor de bolo e café com leite”, disse ao Estadão o arquiteto, urbanista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Henrique de Carvalho.

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2024-09-20T07:00:00.0000000Z

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