Milícia fecha o Mar Vermelho e eleva pressão sobre custos de energia
Houthis ampliam conflito no Oriente Médio e aumentam pressão sobre preço dos combustíveis; Trump diz que iranianos pagarão caro pela morte de 3 soldados dos EUA
Os houthis – milícia xiita do Iêmen apoiada pelo Irã – bloquearam rota que, para a Arábia Saudita, serve de alternativa ao Estreito de Ormuz para exportações de petróleo.
Os houthis, milícia xiita do Iêmen apoiada pelo Irã, anunciaram ontem um bloqueio aos navios sauditas no Mar Vermelho, ampliando o conflito no Oriente Médio e aumentando a pressão sobre os mercados globais de energia.
“Está declarado um embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita, com base na lógica do ‘olho por olho’, com efeito imediato a partir da emissão desta declaração”, afirmou o porta-voz militar houthi, Yahya Saree, em comunicado gravado em vídeo.
O anúncio foi feito no momento em que Irã e EUA trocam ataques no Golfo Pérsico. Ontem, mísseis e drones iranianas voltaram a atingir bases militares americanas em países da região, apesar dos esforços dos mediadores para reduzir a tensão.
As hostilidades, que se concentravam no Estreito de Ormuz, se espalharam rapidamente nos últimos dias e resultaram na morte de três militares dos EUA no Iraque e na Jordânia. Donald Trump disse ontem que o Irã “pagará” pela morte de soldados dos EUA e a intensificação dos bombardeios seria uma vingança pela morte dos americanos.
“Toda vez que o Irã matar um soldado americano, pagará um preço muito alto. A ordem foi dada aos comandantes militares”, escreveu o presidente americano em sua rede social. O número total de baixas dos EUA chegou a 17, desde o início da guerra, em fevereiro.
O controle exercido pelo Irã sobre o Estreito de Ormuz reduziu a oferta global de petróleo e gás, pressionando os preços. No entanto, a Arábia Saudita, aliada dos EUA, havia redirecionado parte de suas exportações para Mar Vermelho. Se os houthis conseguirem impedir a passagem de navios sauditas pelo Estreito de Bab el-Mandeb – que dá acesso ao Índico –, a crise global de energia se agravará.
Apesar do esforço de mediadores, como Paquistão e Catar, e da aparente disposição de negociar de americanos e iranianos,
Arsenal
Ataques do Irã reduziram ainda mais o número de mísseis interceptadores americanos
nenhum dos dois lados parece pronto ao diálogo.
GASOLINA. Os EUA anunciaram, no fim de semana, o envio de mais aviões de combate ao Oriente Médio, sinalizando que a tendência é intensificar a ofensiva contra o Irã. Desde o dia 7, o Irã atacou bases militares dos EUA e outras instalações em pelo menos quatro países, segundo imagens de satélite e vídeos analisados pelo New York Times, que mostraram danos recentes nesses locais.
Os ataques recentes, a maioria deles interceptados pelos EUA, reduziram ainda mais o número de mísseis interceptadores americanos. Segundo a CNN, os estoques americanos encontram-se atualmente em níveis historicamente baixos, com as operações tendo consumido entre 45% e 50% dos mísseis de defesa Patriot e Thaad.
A escalada da tensão impulsionou a alta dos preços do petróleo nas últimas semanas. O barril Brent, referência do mercado, chegou a ser negociado ontem acima de US$ 86, e a gasolina nos EUA voltou subir, ultrapassando a barreira média de US$ 4 o galão – cerca de US$ 1,05 por litro (R$ 5,36), segundo a AAA, associação que monitora os preços, atingindo os mesmos níveis do início da guerra. Desde fevereiro, o aumento é de 33%.
Os preços dos combustíveis pressionam a Casa Branca a menos de três meses das eleições de meio de mandato, que renovarão a Câmara dos Deputados e cerca de um terço do Senado – os republicanos correm o risco de perder a maioria no Congresso, o que comprometeria a agenda de Trump. •
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2026-07-21T07:00:00.0000000Z
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