O Estado de S. Paulo

Petrobras vai devolver receita extra de leilão de gás após pressão de Lula

Presidente criticou leilão que teve ágio de 100%

DENISE LUNA e GABRIELA DA CUNHA

Sem deixar claro como fará o ressarcimento às distribuidoras que participaram do certame nem como a decisão beneficiará os consumidores, a Petrobras anunciou ontem que vai devolver o dinheiro extra arrecadado com um leilão de gás de cozinha realizado no fim de março, cujo ágio chegou a 100%. É a segunda decisão que a estatal toma em relação ao leilão desde que o presidente Luiz Inácio Lula Silva criticou a operação, classificando-a como “cretinice” e “bandidagem”. No último dia 6, o conselho de administração da estatal já havia destituído Claudio Schlosser do cargo de diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados. O governo teme desgaste com o aumento do preço do gás de cozinha em ano eleitoral. Oficialmente, a Petrobras alega, porém, que a decisão de devolver a receita obtida com o ágio do leilão, estimada em R$ 140 milhões, se baseou em “análises econômicas e de risco”.

Sob pressão do governo, a Petrobras anunciou ontem que vai devolver o dinheiro extra arrecadado com leilão de gás de cozinha realizado no fim de março, cujo ágio chegou a até 100%. Foi a segunda decisão da estatal envolvendo a operação, alvo de críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No último dia 6, o conselho de administração da estatal já havia destituído Claudio Schlosser do cargo de diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados. Não está claro, porém, como esse ressarcimento será feito na prática, nem como poderá beneficiar o consumidor final.

Em entrevista à TV Record da Bahia, Lula disse que iria anular o leilão, classificado por ele como “cretinice” e “bandidagem”. Já o ministro da Casa Civil, Rui Costa, chegou a acusar a empresa de insubordinação.

Como o Estadão noticiou, o episódio alimentou entre analistas de mercado o receio de intervenção do governo na política de preços da estatal em pleno ano eleitoral. Lula tem cobrado de ministros medidas para amenizar os efeitos da alta do petróleo e da inadimplência dos consumidores. Especialistas na área de governança de empresas também criticam o movimento do governo ( mais informações na pág. B2).

Em nota, a Petrobras afirmou que a “neutralização” do leilão foi “sustentada por análises econômicas e de risco” e que levou em conta “a excepcionalidade do contexto mercadológico atual, decorrente do conflito no Oriente Médio”. “Considera também as manifestações de órgãos de controle e regulatórios, tais como ANP ( Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).”

DIFERENÇA DE PREÇOS. A Petrobras afirmou ainda que a devolução de valores vai corresponder “à diferença entre o Preço de Paridade de Importação (PPI) divulgado pela ANP para o período de 23 a 27 de março e os lances arrematados pelos distribuidores participantes do certame”.

Os clientes que podem ser beneficiados pela decisão são as distribuidoras de gás de cozinha, responsáveis por engarrafar o produto e vendê-lo no Brasil. Segundo pessoas a par do assunto, há dúvidas sobre como a decisão irá beneficiar o consumidor no varejo, visto que o ágio do certame já foi repassado pelas companhias ao preço final do produto. O Esta

dão/Broadcast apurou que a receita com o ágio do leilão de GLP é estimada em cerca de R$ 140 milhões, referente à venda de 70 mil toneladas do insumo.

Essas mesmas pessoas disseram ainda que a nova diretora executiva de Logística, Comercialização e Mercados, Angélica Laureano, recebeu a ordem de cancelar o certame imediatamente após assumir o cargo. •

NEWS

pt-br

2026-04-10T07:00:00.0000000Z

2026-04-10T07:00:00.0000000Z

https://digital.estadao.com.br/article/281483577946393

O Estado